Era um dia tranquilo em Porto Alegre, e eu já estava acordada há bastante tempo. Estava no último semestre na faculdade, e tinha optado por me dedicar em tempo integral a minha monografia. Acordava cedo, e por volta das 10 da manhã sempre parava pra dar uma descansada de tanto texto e gráficos. Naquele dia peguei algo pra beber, liguei a TV e me atirei na cama pra me espreguiçar. A partir daí parece que os minutos pararam.
William Bonner não me deixava pensar que aquilo era um filme, mesmo que lembrasse tanto os vários filmes que já simularam destruir Nova York, pois a voz de urgência e dúvidas não era a corriqueira. A fumaça era grande, ainda não se sabia bem o que havia acontecido. Chamei a Tita correndo, que insistia em dizer que não era verdade.
O pânico e a tristeza me invadiram, mesmo eu nunca tendo estado naquela cidade, e àquelas alturas isso ser um sonho bastante distante. Pois o impensável em violência terrorista tinha virado verdade em seu mais alto grau, e a partir dali nada mais era impossível.
Naquele dia não desliguei mais a TV. O medo de que aquilo se alastrasse no mundo era grande. Temia pela Europa, outros países da Ásia, Israel. Sentia-me ainda segura em Porto Alegre, mas o mundo não era mais.
Em Janeiro de 2010 estive em Nova York pela primeira vez. O clima do lugar do atentado, onde ficavam as Torres Gêmeas, era um tanto tétrico, a Igreja ao lado ainda com a poeira, dentro as roupas de bombeiros que participaram dos resgates, fotos, medalhas, homenagens. A obra era gigantesca, e foi erguido um pequeno memorial, com vídeos, a história do WTC, o planejamento da obra da Freedom Tower.
A gente podia sentir a tristeza do lugar. Naquele dia, após conhecer a cidade maravilhosa que é Nova York, revivi a dor daquele dia, que mesmo tão distante pra mim naquela época, já era pra mim a capital do mundo. Pude imaginar o caos que deve ter sido, imaginar o bairro embaixo de destroços. Pude lembrar das pessoas que se atiravam dos prédios em desespero, daqueles que não tiveram sequer tempo de entender o que acontecia, dos bombeiros que perderam a vida salvando vidas, das imagens tristes que acompanhei grudada na TV em 2001.
Acabei de retornar de New York, estive por lá entre 21 e 26 de agosto, e foi um tanto inexplicável a sensação de ver a nova Torre se erguer, tornar-se um novo marco na cidade, daqueles que parecer sempre estar presente e visível, independente de onde você está. Acho que os olhos brilharam, dei um pequeno sorriso, mas não quis passar por lá, mesmo estando à duas quadras da obra. Preferi deixar pra conhecer a Torre quando ela estiver plena, cheia de vida, e possa representar o perdão, a liberdade e a paz.

















